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O SACRAMENTO DA ORDEM

23/03/2021 . Formações

O SACRAMENTO DA ORDEM

A ordem é o sacramento dos ministros ordenados, pelo qual um batizado tem participação específica no sacerdócio único e supremo de Cristo. O sacramento da ordem, juntamente com o sacramento do matrimônio são sacramentos conferidos para o bem da comunidade, (CIC 1534.) ao contrário dos outros cinco sacramentos que são conferidos para o benefício do membro individual. É verdade que eles são também meios de santificação para aqueles que os recebem, mas essa não é sua função principal. O ministério da ordem é sempre exercido em íntima união com a igreja local ou universal com o objetivo de aumento espiritual da comunidade e em estreita ligação com a hierarquia da Igreja.

Enquanto Israel teve inúmeros sacerdotes que se sucederam, no decurso da história, a Igreja Católica só tem um sacerdote, Jesus Cristo, ele é a fonte única de todo o sacerdócio cristão pois seu sacrifício redentor é único e realizado uma vez por todas por todos nós. No entanto Ele se faz presente todo dia na celebração eucarística quando no serviço eclesial o padre age in persona Christi Capitis, em virtude do sacramento. Só Cristo é o verdadeiro sacerdote, sendo os outros seus ministros em comunhão com Ele.

Quando foi instituído o sacramento da ordem?

Jesus na Quinta-Feira Santa, durante a ultima ceia instituiu a Santíssima Eucaristia e a ordem simultaneamente quando abençoa o pão e o vinho e os distribui para seus apóstolos e pede que repitam aquele gesto em sua memória (Lc 22, 17-20). Sempre devemos ver o sacerdote no contexto na missa, pois essa é a principal razão da sua ordenação.

Quais são os seus três graus ?

A ordem é o sacramento pelo qual o homem é consagrado ao serviço da comunidade cristã. O ministério eclesiástico é dividido em diversos graus. São os chamados bispos, presbíteros e diáconos. Eles não são necessariamente recebidos em sequencia, não sendo cada uma uma etapa para a outra. Os bispos e presbíteros fazem parte do mesmo sacerdócio de Cristo que vem desde a sucessão apostólica. Ao conferir aos apóstolos o encargo de dirigir a igreja, Jesus estabeleceu sobre eles o sagrado magistério da Igreja constituído pelo Papa e pelos bispos e padres em comunhão com ele. Os diáconos por sua vez são ordenados para o ministério do serviço ao Povo de Deus em comunhão com os bispos e com os presbíteros.

As diferentes funções destes três graus:

Todos os três graus da ordem são conferidos por um ato sacramental chamado ordenação. A ordenação em seus três graus, é sempre conferida pelo bispo. (CIC 1597) O sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos, seguida duma solene oração consacratória, que pede a Deus para o ordinando as graças do Espírito Santo, requeridas para o seu ministério. A ordenação imprime um caráter sacramental indelével.

Bispos: A ordenação legítima de um bispo pressupõe uma intervenção especial do bispo de Roma (CIC 1600) e no momento de sua ordenação o bispo recebe a unção com o santo óleo do crisma, sinal da unção especial do Espírito Santo, que torna fecundo o seu ministério; ocorre a entrega do livro dos Evangelhos, do anel, da mitra e do báculo, em sinal da sua missão apostólica de anunciar a Palavra de Deus, da sua fidelidade à Igreja, esposa de Cristo, do seu múnus de pastor do rebanho do Senhor.

Os presbíteros: recebem sua ordenação do bispo e após o bispo rezar sobre eles também rezam os demais presbíteros como um sinal de que estão todos unidos entre si em uma íntima fraternidade sacramental, formando um só prebitério.(CIC 1568). Eles recebem a unção com o óleo do crisma, recebem a patena e o cálice, “a oferenda do povo santo” que ele é chamado a apresentar a Deus. Eles dependem dos bispos para o exercício de sua função, todo padre deve estar vinculado a um bispo e atuar em conformidade com as suas instruções, prometendo-lhe obediência. O bispo os considera como seus colaboradores, filhos, irmãos, amigos e que em contrapartida eles lhes devem amor e obediência. Sua função é celebrar missas, pregar o evangelho, ser pastores dos fieis, batizar, perdoar os pecados pela confissão (poder que lhes foi conferido por Cristo em Jo 20, 21-23) e realizar a unção dos enfermos.

Os diáconos: (CIC 1569) No grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais foram impostas as mãos, “não em vista do sacerdócio, mas do serviço”. Para a ordenação no diaconato, só o bispo é que impõe as mãos, significando com isso que o diácono está especialmente ligado ao bispo nos encargos próprios da sua “diaconia”. Eles recebem o livro dos Evangelhos, pois acabam de receber a missão de anunciar o Evangelho de Cristo. Entre outros serviços, pertencentes aos diáconos está assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaristia, distribuí-la, assistir ao Matrimonio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade.

Quem pode receber o sacramento?

(CIC 1577) Só o varão batizado pode receber validamente a sagrada ordenação. (CIC 1579). Todos os ministros ordenados da Igreja latina, à exceção dos diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato por amor do Reino dos céus (Mt 19, 12). Chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às suas coisas dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado. O diácono, não precisa ser celibatário, ou seja pode ser casado.

O sacramento tem um prazo estipulado?

Tal como no caso do Batismo e da Confirmação, esta participação na função de Cristo é dada uma vez por todas. O sacramento da Ordem confere também ele, um caráter espiritual indelével, e não pode ser repetido nem conferido para um tempo limitado.

É possível deixar função?

(CIC 1121) Os três sacramentos do Batismo, Confirmação e Ordem conferem, além da graça, um caráter sacramental ou “selo”, pelo qual o cristão participa no sacerdócio de Cristo e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas. Esta configuração a Cristo e à Igreja, realizada pelo Espírito, é indelével fica para sempre no cristão como disposição positiva para a graça, como promessa e garantia da proteção divina. (CIC 1583) Uma pessoa validamente ordenada pode, por motivo grave, ser dispensada das obrigações e funções decorrentes da ordenação, ou ser proibido de exercê-las mas já não pode voltar a ser leigo, no sentido estrito porque o caráter impresso pela ordenação fica para sempre. A vocação e a missão recebidas no dia da ordenação marcam-no de modo permanente.

Os atos de um ministro que está por algum motivo em pecado grave tem validade?

(CIC 1550) A presença de Cristo no ministro não deve ser entendida como se este estivesse premunido contra todas as fraquezas humanas, contra os erros, isto é, contra o pecado. A força do Espírito Santo não garante do mesmo modo todos os atos do ministro. Mas em relação aos sacramentos esta garantia é dada, de maneira que nem mesmo o pecado do ministro pode impedir o fruto da graça, há muitos outros atos em que a condição humana do ministro deixa vestígios, que nem sempre são sinal de fidelidade ao Evangelho e podem, por conseguinte, prejudicar a fecundidade apostólica da Igreja.

Santo Agostinho tratou do assunto:
«Quanto ao ministro orgulhoso, deve ser contado juntamente com o diabo. E nem por isso se contamina o dom de Cristo: o que através de tal ministro se comunica, conserva a sua pureza: o que passa por ele mantém-se límpido e chega até à terra fértil. […] De fato, a virtude espiritual do sacramento é semelhante à luz: os que devem ser iluminados recebem-na na sua pureza, e ela, embora atravesse seres manchados, não se suja.

Como se exerce o sacramento:

A missão dos padres é trazer Deus aos homens sendo uma ponte entre o eterno e o temporal, entre o pecado e a misericórdia. Eles administram os sinais do amor e Deus. Suas tarefas específicas segundo a tradição são essencialmente três: ensinar, santificar e governar.

Sobre o tema da santificação da comunidade Bento XVI nos fala: “Nenhum homem por si mesmo, a partir da sua própria força, pode pôr o outro em contato com Deus. Uma parte essencial da graça do sacerdócio é o dom, a tarefa de criar este contato. Isto realiza-se no anúncio da palavra de Deus, na qual a sua luz vem ao nosso encontro.(…) Portanto, é o próprio Cristo que santifica, ou seja, que nos atrai para a esfera de Deus. Mas como ato da sua misericórdia infinita chama alguns a “permanecer” com Ele (crf. Mc 3, 14) e a tornar-se, mediante o Sacramento da Ordem, não obstante a pobreza humana, partícipes do seu próprio Sacerdócio, ministros desta santificação, dispensadores dos seus mistérios, “pontes” do encontro com Ele, da sua mediação entre Deus e os homens, e entre os homens e Deus (cf. Presbyterorum ordinis , 5).(…) Cada presbítero sabe bem que é um instrumento necessário para o agir salvífico de Deus, contudo é sempre instrumento. Tal consciência deve tornar-nos humildes e generosos na administração dos Sacramentos, no respeito pelas normas canónicas, mas também na profunda convicção de que a própria missão é fazer com que todos os homens, unidos a Cristo, possam oferecer-se a Deus como hóstia viva e santa do seu agrado (cf. Rm 12, 1). E é na celebração dos Santos Mistérios que o presbítero encontra a raiz da sua santificação (cf. Presbyterorum ordinis , 12-13).”

O sacramento da ordem deve ser exercido em total conformidade com as normas da igreja não podendo ser modificado ou manipulado ao arbítrio do ministro ou da comunidade. (CIC 1125) É por isso que nenhum rito sacramental pode ser modificado ou manipulado ao arbítrio do ministro ou da comunidade. Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia . O sacerdócio ministerial é o encargo que o Senhor confiou aos pastores do seu Povo é um verdadeiro serviço. O sacramento da Ordem comunica um poder sagrado, que não é senão o de Cristo. O exercício desta autoridade deve, pois, regular-se pelo modelo de Cristo, que por amor Se fez o último e servo de todos. O Senhor disse claramente que o cuidado dispensado ao seu rebanho seria uma prova de amor para com Ele (CIC 1551).

 

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Fontes:

Catecismo da Igreja Católica

Audiência Geral – Papa Bento XVI – 14/04/2010

PRESBYTERORUM ORDINIS

 

 

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