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Solenidade de Corpus Christi

03/06/2021 . Formações

Hoje, 3 de junho, celebramos a Solenidade de Corpus Christi. Instituída em 1264, pelo então Papa Urbano IV, esta Festa é uma ocasião onde os fiéis são convocados a testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia.

“Corpus Christi” (Corpo de Deus)! Eis a expressão usada pelo Papa Urbano IV na entrada da cidade de Orvieto, Itália, quando se deparou com a relíquia do milagre eucarístico que ele ordenara trazer até sua cidade. Tal milagre que vinha em procissão desde Bolsena, cidade vizinha, era mais um impulsionador da instituição de uma festa cujo desejo Jesus manifestara à religiosa agostiniana Santa Juliana de Mont Cornillon, em Liège, Bélgica, religiosa que o papa havia conhecido.

O contexto era o século XIII: a partir da Abadia de Cornillon surge um movimento que dá origem a vários costumes eucarísticos como a exposição e bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa, entre outros. Santa Juliana recebe o desejo por parte de Jesus de que houvesse uma festa especial para honrar o Sacramento da Eucaristia, desejo esse que leva às autoridades eclesiásticas da época, entre elas o arcediago de Liège, Jacques Pantaléon, que mais tarde se tornaria o Papa Urbano IV. A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica. Mas o decreto oficial da festa viria a 11/08/1264 por meio da bula papal Transiturus de hoc mundo, 6 anos após a morte de irmã Juliana. O Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317 o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

E o que é que nossos olhos físicos veem na Eucaristia sendo levada solenemente em procissão pelas ruas de nossas cidades? Eis o que constatamos: uma partícula branca, redonda, produzida com a mais corriqueiras das substâncias. Como compreender que Jesus, Senhor e Rei da história e do universo, escolheu se “esconder” nas humildes e tão humanas aparências do pão e do vinho fazendo-se verdadeira comida e verdadeira bebida? “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 51). No dia anterior em que pronuncia essas palavras de seu discurso sobre a Eucaristia (que São João narrou no capítulo 6 de seu Evangelho), Jesus prepara o terreno dos corações dos discípulos mostrando-os duas realidades importantes para adentrarem no mistério eucarístico com profundidade. No milagre da multiplicação dos pães (v. 1-15), revela que tem poder sobre o pão. Quando anda sobre as águas (v. 16-21), revela que tem poder sobre seu corpo. Ou seja: Jesus podia transformar o pão no seu corpo.

Podemos assumir a posição de alguns discípulos e murmurarmos diante dessas palavras de Jesus: “isto é muito duro! Quem o pode admitir?” (v. 60). Muitos se retiraram e já não andavam mais com Ele (v.66). São João nos mostra que o próprio Cristo já sabia, desde o princípio, quem eram dos que estavam ali, frente a frente com Ele, que não O acreditariam. “Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes…” (v. 36). Seu Sagrado Coração sabia que não encontraria abrigo no coração de muitos de seus amigos. A verdade é que nós nos escandalizamos, e por nossa própria humanidade, não conseguimos compreender tamanho mistério. “É por isso que, comentando o texto de São Lucas 22, 19 ´Isto é o Meu corpo que será entregue por vós’, São Cirilo de Alexandria declara: ´Não vás agora perguntar-te se isso é verdade; mas acolhe com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a verdade, não mente.´” (CCE 1381). Se não damos nosso “sim” ao mistério, com nossa adesão sincera de fé, somos capazes de abandonarmos Jesus com uma devoção fraca e fria, ou até mesmo com a negação do milagre da transubstanciação. Podemos por um instante ouvirmos as duras palavras de Cristo: “quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6, 67). Deixemo-nos interpelar por sua voz que nos chama a o adorarmos e a estarmos em comunhão com ele. “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair.” Peçamos, assim, a graça de sermos atraídos a Jesus eucarístico como os pólos de um ímã e vamos a Ele com o coração aberto. Sigamos o exemplo de Pedro, que nesse dia não o negara, mas exclamara com total sinceridade aquele desabafo: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68-69).

Sim, nós cremos, Senhor, mas aumenta a nossa fé!

Vivamos este dia com especial piedade, peçamos ao Senhor que inflame nossos corações de zelo eucarístico a fim de O amarmos com mais dignidade.

Tudo por Jesus, Nada sem Maria

Curados para amar – A palavra tem poder OUVIR TODOS