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Virtude da Sinceridade

02/11/2022 . Formações

“Os lábios sinceros permanecem sempre constantes; a língua mentirosa dura como um abrir e fechar de olhos (Provérbios 12, 19)

 

O que é?

A virtude da sinceridade, ou veracidade ou franqueza, nada mais é que a ação da verdade, é a retidão da ação e da palavra humana. “A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos atos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia” (Catecismo da Igreja Católica no 2468).

O discípulo de Cristo aceita “viver na verdade”, isto é, na simplicidade duma vida conforme ao exemplo do Senhor e permanecendo na Sua verdade. “Se dizemos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos, não praticamos a verdade” (1 Jo 1, 6). Catecismo da Igreja Católica 2470.

O Catecismo da Igreja Católica, no 2469, diz que: “a virtude da veracidade dá justamente a outrem o que lhe é devido. A veracidade observa um justo meio-termo entre o que deve ser dito e o segredo que deve ser guardado: implica honestidade e discrição. Por justiça, “um homem deve honestamente ao outro a manifestação da verdade”.

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Por que ela é importante?

Podemos concluir que a virtude da sinceridade é muito importante no testemunho de vida do Cristão, pois, se Cristo é verdade, devemos amar a verdade, mas é sobretudo, importante na vida comunitária, pois a sinceridade é um dever que temos que ter com o irmão que amamos, seja para sermos justos, seja crescimento mútuo.

A virtude da sinceridade está intimamente relacionada ao 8º Mandamento da Lei de Deus que determina: “NÃO APRESENTARÁS FALSO TESTEMUNHO CONTRA TEU PRÓXIMO”. O oitavo mandamento proíbe falsear a verdade nas relações com os outros. Essa prescrição moral decorre da vocação do povo santo a ser testemunha de seu Deus, que é e quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou atos, a recusa de abraçar a retidão moral: são infidelidades fundamentais a Deus e, neste sentido, minam as bases da Aliança (Catecismo da Igreja Católica 2464).

 

Como vivê-la?

  • Sinceridade consigo mesmo: é reconhecer a verdade em seus próprios atos, externos e internos: é lutar para ser verdadeiro nas intenções, pensamentos. Aqui é importante vivermos com verdade nossa prática diária de piedade de exame de consciência.
  • Sinceridade com o próximo: o Catecismo da Igreja Católica, no nº 2469 diz que: “os homens não seriam capazes de viver juntos, se não tivessem confiança uns nos outros, isto é, se não se dissessem a verdade”. Temos que lutar para viver a virtude da sinceridade com o próximo, principalmente para uma harmônica vida comunitária. A sinceridade deve ser vivida em três importantes aspectos:
  • Sinceridade para com Deus: é muito importante viver a virtude da sinceridade no trato com Deus. Quando vamos falar com o Pai temos que rasgar o véu, deixar cair nossas máscaras, lembrando que Deus vê tudo, mas como somos seus filhos, quer que manifestemos as coisas a Ele. Temos que tratá-lo verdadeiramente como Pai, sem pouca intimidade ou com cerimônia, mas com plena sinceridade e confiança.

Importante nesse aspecto ter sinceridade quanto a fidelidade às promessas feitas no Batismo. Sempre analisar, com sinceridade, se estamos sendo fiéis à vocação de filhos de Deus.

 

Verdade e caridade

A Sagrada Escritura ensina que é preciso dizer a verdade com caridade (Ef 4, 15). Por isso, a sinceridade deve ser vivida com amor a Deus e aos homens, ou seja, com delicadeza e compreensão. A correção fraterna é uma forma de viver a virtude da sinceridade com amor.

A ofensa contra a virtude da sinceridade é a mentira. Mentir é falar ou agir contra a verdade para induzir ao erro. Ferindo a relação do homem com a verdade e com o próximo, a mentira ofende a relação fundante do homem e de sua palavra com o Senhor. São exemplos de ofensas à verdade: falso testemunho e perjúrio, juízo temerário, maledicência, calúnia, adulação, arrogância, ironia e mentira (o conceito de cada uma destas está descrito no Catecismo no 2475 a 2483).

O direito à comunicação da verdade não é absoluto. Diz o Catecismo que devemos avaliar, com caridade, se devemos ou não revelar a verdade a quem a pede. “O bem e a segurança de outrem, o respeito pela vida privada e pelo bem comum, são razões suficientes para calar o que não deve ser conhecido ou para usar uma linguagem discreta. Muitas vezes, o dever de evitar o escândalo impõe uma estrita discrição. Ninguém é obrigado a revelar a verdade a quem não tem o direito de a conhecer”. São exemplos, o sigilo do sacramento da confissão e os segredos profissionais. O Catecismo diz, ainda, que: “a sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça”, mas “é preciso impor-se moderação e disciplina no uso dos meios de comunicação social”

Observe se praticou alguma ofensa contra a verdade e esforce-se em repará-la, por meio do sacramento da reconciliação. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, toda falta cometida contra a justiça e a verdade, ou seja, toda ação sem sinceridade, impõe o dever de reparação, mesmo que o autor tenha sido perdoado.

 

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